FIM DO TRABALHO? NÃO, VIVEMOS A ERA DO PROFISSIONAL DO CONHECIMENTO

Introdução

Em 1909, o poeta Jorge de Lima proclamava em seus escritos: "Lá vem o acendedor de lampiões de rua! Este mesmo que vem infatigavelmente, parodiar o sol e associar-se à lua...". E assim, seus versos continuavam fazendo alusão a uma admirável profissão da época: o acendedor de lampiões de rua.

É bem provável que hoje, a maioria das pessoas não saibam, ou mesmo não têm ideia do que o autor se referia naquela época. Ao exemplo dessa profissão, o acendedor de lampiões de rua, muitas outras atividades profissionais já perderam sua significância ou mesmo, nem existem.

O que dizer do datilógrafo, que no Brasil persistiu até início dos anos de 1990, e que para conseguir bons empregos, era fundamental, e pré-requisito, ter curso de datilografia ou mecanografia, como a denominação cientifica.

E pode-se abordar inúmeros exemplos que, com o desenvolvimento industrial e posteriormente, tecnológico, simplesmente foram riscadas da lista de profissões.

São justamente essas transformações que provocam inúmeras discussões e estudos sobre um tema um tanto quanto polêmico: o fim do trabalho. Ou, como preconizou no ano de 1998 a obra do autor Geremy Rifkin: "O fim dos Empregos: o declínio inevitável dos Níveis dos Empregos e a redução da Força Global de Trabalho". Rifkin ressaltou o desemprego tecnológico como uma grande ameaça ao futuro da sociedade, sugerindo a necessidade de reinventar as maneiras de trabalhar frente às novas profissões que surgiriam a partir do limiar do século XXI.

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Percebe-se significativas diferenças entre a tecnologia e seus efeitos sobre a vida das pessoas em diferentes locais do mundo. Nesse contexto o fator trabalho, empregabilidade, vem concatenado e desafiador.

Claro que essa discussão não é recente, nem tampouco iniciou no Século XXI, quando efetivamente intensificou-se o uso da tecnologia e a socialização do conhecimento e inovação. Pode-se incluir na extensa lista de renomados pensadores que se empenharam em estudar as relações do trabalho, Karl Marx, e na realização de suas épicas discussões sobre a mais valia, onde questiona a exploração do trabalho e trabalhador pelo capital, ou capitalismo. Nesse quesito, é a troca do trabalho pelo dinheiro. Ou seja, o trabalho como valor de troca.

Em face de tais ponderações, a análise de muitos autores recai sobre profissões que não existem mais, os quais se atribuem dois principais fatores: evolução tecnológica ou mudança no comportamento social. Claramente, as transformações no campo tecnológico, a exemplo do datilógrafo, operador contábil, digitadores, telegrafistas, foram, e estão aos poucos, dando lugar a profissionais com especializações e conhecimentos específicos. A discussão sobre a ocupação de "máquinas" em postos onde centenas e até milhares de profissionais ocupavam antes recai justamente sobre outro aspecto: a qualificação e o conhecimento.

Nesse contexto, justamente, que encontra-se as maiores "desmassificações" de postos de trabalho: as indústrias e a agricultura. O mercado industrial, corresponsável pelo processo de urbanização em meados do século XX, no Brasil, efetivamente por provocar a expectativa de milhares de pessoas que deixavam o árduo oficio agrícola para dedicar-se ao sonho de ser operário em uma indústria.

Ronald Tavares Pires da Silva

Sirlei Ana Falchetti 

Trechos do Capitulo do livro Pessoas, Foco & Desenvolvimento, 2016, "Fim do Trabalho? Não, vivemos a era do profissional do conhecimento"